Navio Prof. W. Besnard: Porto de Santos inicia operação de resgate

Histórico do Navio Prof. W. Besnard

O navio *Prof. W. Besnard* possui uma trajetória rica e significativa na história naval brasileira. Construído a pedido do governo do estado de São Paulo, o barco foi lançado ao mar em 1966 e se tornou um importante símbolo das pesquisas marítimas. Com 49,3 metros de comprimento, o vessel foi projetado para realizar expedições científicas em águas nacionais e internacionais, visitando locais como o arquipélago de Cabo Verde e até a Antártica.

Durante sua operação, o *Besnard* realizou mais de 260 viagens e estabeleceu mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos. Contudo, o navio ficou fora de operação após 2008, quando sofreu um incêndio que comprometeu sua estrutura e operação.

Diante de sua relevância histórica e científica, o barco foi doado ao Instituto do Mar (IMar) e estava passando por reformas antes de seu infortúnio em março de 2026, quando afundou no cais do Valongo, no Porto de Santos.

Navio Prof. W. Besnard

Detalhes da Operação de Resgate

A operação de resgate do *Prof. W. Besnard* iniciou-se após o sinistro ocorrido em 13 de março de 2026. A Autoridade Portuária de Santos (APS) e a Marfort Serviços Marítimos estão à frente da mobilização, contando com uma equipe de cerca de 60 profissionais, incluindo mergulhadores especializados, que têm realizado o mapeamento da embarcação e avaliação da sua estrutura.

Atualmente, a missão principal é a reflutuação do navio, que está prevista para ocorrer em abril, após a retirada da água que invadiu a embarcação. O processo de mapeamento visa identificar e tampar as entradas de água que possam ter comprometido a integridade do barco. Bombas de sucção estão sendo utilizadas para facilitar essa operação, evitando o içamento com guindastes devido ao estado estrutural do navio.

Investimentos e Recursos Utilizados

A APS firmou um contrato de emergência no valor de R$ 8,6 milhões para a retirada do navio, considerando a situação crítica declarada pela Capitania dos Portos. Este investimento abrange diversas ações, como segurança operacional, içamento, metodologias de reflutuação e contenção de possíveis poluentes durante a operação.

O gerenciamento educacional da reforma do navio está sob a responsabilidade do IMar, que planeja transformá-lo em um museu flutuante, incluindo sala de cinema e acervos históricos. A entidade, no entanto, tem enfrentado dificuldades financeiras e busca colaborações de instituições e empresas para realizar a reforma.

Equipes Envolvidas na Reflutuação

As equipes responsáveis pela reflutuação do *Prof. W. Besnard* são compostas por especialistas em diferentes áreas, incluindo mergulhadores treinados, engenheiros navais e operadores de máquinas. Esses profissionais estão trabalhando em conjunto para garantir que a operação ocorra de forma segura e eficiente, minimizando riscos para todos os envolvidos.

O diretor da Marfort, Alexandre Salamoni, e o presidente da APS, Anderson Pomini, têm liderado as comunicações sobre o progresso da operação e as etapas necessárias para uma recuperação adequada da embarcação. Os detalhes técnicos, juntamente com as estratégias de reflutuação, têm sido compartilhados com a imprensa e as comunidades locais para garantir transparência no processo.

Impacto Ambiental e Segurança

Um aspecto crucial da operação de resgate é o gerenciamento do impacto ambiental. Com o navio afundado, o potencial de vazamento de poluentes no estuário é uma preocupação significativa. Para mitigar esses riscos, protocolos de contenção e monitoramento ambiental estão sendo implementados simultaneamente às atividades de reflutuação.



As equipes estão em constante alerta para identificar e remediar qualquer possível contaminação. O uso de tecnologias apropriadas e materiais respeitosos ao meio ambiente é uma prioridade, assegurando que a integridade do ecossistema local não seja ameaçada.

Relação com a Comunidade Local

Desde a doação do *Prof. W. Besnard* ao IMar, a comunidade local tem demonstrado um apoio crescente em relação à preservação do navio e sua história significativa. A operação de resgate, dadas as suas dimensões, foi um tema de interesse na região e tem atraído a atenção de cidadãos, pesquisadores e entidades de preservação.

Eventos educacionais e campanhas de conscientização foram realizados para informar e engajar a população sobre a importância histórica e científica do navio. O IMar tem promovido a colaboração da comunidade, ressaltando a meta de transformar a embarcação em um recurso cultural que represente a riqueza do patrimônio marítimo brasileiro.

O que Significa a Reflutuação?

A reflutuação do navio representa não apenas a recuperação de uma estrutura física, mas simboliza uma revalorização da história da pesquisa marítima no Brasil e a preservação do seu legado. Esse processo envolve não apenas habilidades técnicas, mas também um profundo respeito pela história que a embarcação carrega.

O sucesso na reflutuação permitirá novos desdobramentos para o *Prof. W. Besnard*, que poderá ser revitalizado como um espaço educativo que beneficiará futuras gerações de pesquisadores e o público em geral ao oferecer diversas atividades de aprendizado ligado ao mar e à ciência.

Desafios Durante o Processo

Os desafios enfrentados durante a operação de resgate são múltiplos. Primeiro, o estado estrutural do navio é uma preocupação constante, pois pode impactar as metodologias de reflutuação. Além disso, as condições climáticas e as marés são fatores externos que podem complicar as operações.

A logística de mobilização de maquinário e pessoal especializado representa outra camada de complexidade. É fundamental que as equipes estejam bem coordenadas e preparadas para qualquer imprevisto. As comunicações contínuas e as avaliações de risco são essenciais para garantir que a operação avance de forma segura.

Planos Futuros para o Navio

Após a reflutuação, o navio será transportado para um estaleiro, onde passará por uma nova inspeção detalhada para determinar as possibilidades de reforma. O propósito é não apenas restaurar a estrutura do *Prof. W. Besnard*, mas também adaptá-lo para uma nova funcionalidade, podendo servir como um museu flutuante e um centro educativo.

O trabalho realizado pelo IMar após sua recuperação pretende incluir atividades voltadas para o ensino de ciências, além de exposições sobre a história da navegação e das expedições científicas realizadas no Brasil. A interação com escolas e outras instituições será uma prioridade, buscando criar um espaço que fomente a curiosidade e o aprendizado entre os jovens.

A Importância Histórica do Prof. W. Besnard

A relevância do *Prof. W. Besnard* vai além de suas atividades como navio de pesquisa; ele representa um elo com a história da ciência e da educação no Brasil. Suas expedições ajudaram a formar não apenas dados científicos, mas também profissionais que se tornaram referência em suas áreas. O resgate e a preservação do navio são essenciais para a valorização e o reconhecimento desse legado.

Por fim, o futuro do *Prof. W. Besnard* não será apenas uma restauração física, mas uma contribuição significativa para a cultura e a educação, perpetuando sua história e importância para as próximas gerações.